domingo, 12 de abril de 2015


"
O quê? Você está deixando quem?
Não é eu, isso não é verdade
O quê? Você está deixando quem?
Você não está me deixando..."
— Get Over It (Amy Winehouse)



Fui expulso do quarto, o enfermeiro Dave e a outra enfermeira — cuja força sobrenatural não combinava com seu corpo franzino e pálido — me empurraram porta à fora quando o barulho agonizante da máquina de batimentos cardíacos travou no "piiiiii" agudo.
Eles fecharam a porta na minha cara e eu dei dois socos fortes, irritado por não estar ao lado de Mavis justo agora, quando ela mais precisa de mim. 
Um segurança enorme apareceu e me escoltou até a sala de espera, aonde eu vi minha mãe sentada ao lado de America, ambas as duas de olhos fechados, orando fervorosa e silenciosamente, isso foi o bastante para me deixar triste e amedrontado. E se ela não estiver bem? O que está acontecendo naquele quarto?
Minha mãe pareceu sentir minha presença, ela levantou o rosto e sorriu para mim, aquele seu sorriso que me diz que tudo ficará bem, então ela levantou-se e abriu os braços para mim, e foi aonde eu me aconcheguei e chorei, deixei que o medo me dominasse, pois naquele momento era tudo o que eu conhecia. 
Senti medo de perdê-la.
Senti pavor ao imaginar minha vida sem ela.
Minha mãe me olhou preocupada ao notar minhas lágrimas, America também me encarou confusa. Eu me sentei entre elas e sequei as lágrimas. Recompus-me para que elas não ficassem tão apavoradas quanto eu estou.

— O que aconteceu, Harry? — perguntou America, a preocupação tomando conta da sua voz.
— Eu não entendi direito, Megan nasceu... Ela é linda, tão, tão linda... Ela se parece tanto com Mav, meu Deus, como se parece com ela — sussurrei distraído, lembrando-me da minha menina pequena.
— E por que você está assim? O que houve? — insistiu America.
— Me expulsaram do quarto, eu não sei o que houve. Em um minuto Mavis estava beijando a Megan e, no outro, a máquina de batimentos cardíacos surtou e me expulsaram do quarto — sussurrei irritado.
— Ai, meu Deus — murmurou America, sua feição congelada em uma expressão assustada de olhos arregalados.
— Vai ficar tudo bem, não se preocupe Mare — disse minha mãe, afagando a mão de Mare, tentando acalmá-la.

Eu me inclinei para frente e apoiei os cotovelos nos joelhos, então deixei minha cabeça nas mãos, fechei meus olhos e orei mentalmente, pedindo energicamente para que Ele não permitisse que ela fosse tirada de mim, não depois de tudo o que enfrentamos para ficarmos juntos.
Os minutos voaram, porém, as horas se arrastaram, os rapazes — e Mellie — apareceram, se setaram ao nosso redor, conversaram, Mellie chorou, enfermeiros passavam direto para lá e para cá, mas ninguém me avisou, ninguém me disse uma palavra se quer de como estava o estado de Mavis. Eu comecei a me irritar.
Minha mãe tocou meu braço ao perceber que eu estava tremendo, ela sabia que eu não estava chorando novamente, não na frente de toda essa gente, ela sabia que eu estava explodindo!

— Fique calmo, eles não devem demorar muito mais — sussurrou Anne.
— Já estamos há três horas aqui. Eu não tenho notícias da minha namorada e nem da minha filha, como você quer que eu fique calmo, mãe? — sibilei baixinho.
— Tudo bem, vá procurar alguém, então — aconselhou ela.

Era o sinal verde que eu esperava, pulei da cadeira e saí em disparada pelo corredor, só então percebi que Chase me seguia de perto.
Juntos nós fomos até a recepção e eu discuti um pouco com a recepcionista, até ela dar a informação que eu precisava: "A dra. Clay irá vê-los em um minuto.", então nós voltamos para a sala de espera.
Sincronizei um minuto e meio até a elegante senhora de meia idade entrar na sala de espera, ela vestia um jaleco branco e exalava profissionalidade. Fiquei de pé rapidamente, assim como minha mãe e Mare.

— Sr. Styles? Tudo bem? — perguntou ela secamente, típico comportamento de um médico.
— Não, quero saber o estado de Mavis, por favor. Estamos há três horas sem notícias dela e da bebê — respondi rudemente, minha mãe me beliscou, mas eu não me importei.
— Sim, claro. Megan está bem, ela precisa ficar um tempo na encubadora, por ter nascido prematura, mas ela está bem — respondeu a médica, lendo suas anotações na prancheta que trazia à mão.
— E a Mavis? — disparou Mare, interrompendo-me na hora que eu iria fazer essa mesma pergunta.
— Bom... — murmurou a Dra. Clay, foi quando notei que havia algo errado e eu me preparei para o pior.

Mas o que ela disse não se passava nem perto do pior que eu imaginava... Era um milhão de vezes pior...

— A Srta. Underwood sofreu uma parada cardíaca pouco depois do fim do parto, fizemos o que podíamos, mas não conseguimos salvá-la.

America soltou um suspiro horrorizado e eu a vi cambalear, antes mesmo que pudesse pensar eu a segurei e ela desatou a chorar abraçada a mim, eu fiquei paralisado, assustado, inconformado e, principalmente, eu não acreditava no que a médica nos dizia.
Eu abracei a America e a confortei, enquanto olhava para a Dra. Clay, esperando uma explicação mais consistente.

— O que ocorreu com a Mavis foi o que chamamos de DAEG — começou a explicar a médica —, Doença Hipertensiva Específica da Gravidez, acontece em cerca de 10% entre mulheres grávida e, por azar, calhou de Mavis se encaixar nestes 10%. Durante o parto, a pressão de Mavis se elevou demais, levando-a, poucos minutos depois, a sofrer um infarto. Nós tentamos reanimá-la, mas foi inútil. Felizmente o bebê já havia nascido e isso não o afetou. Sinto muito. — disse a médica, nos olhando com compaixão.

A sala estava em silêncio, minha mãe se sentou e chorou baixinho, eu continuei parado, abraçado a America, e sem poder acreditar no que a Dra. Clay me dizia.
Silenciosamente, Chase, Zayn, Liam, Louis e Mellie se aproximaram, deixei que Chase cuidasse de America e me retirei da sala, seguindo rapidamente até o banheiro masculino.
Liguei a torneira e molhei meu rosto, o choro estava entalado em minha garganta, quase me sufocando, e eu sentia uma imensa vontade de chorar. Mas senti medo de deixar que a represa se partisse e então não parasse mais de despejar lágrimas. Pois eu sentia que naquele momento eu poderia chorar por todo o mundo.
Então eu gritei, gritei o mais alto que pude e gritei repetidas vezes. Senti toda a dor me abater, senti o medo tomar forma dentro de mim, o medo do que eu mais temia. Caí de joelhos no chão frio e me debrucei sobre minhas pernas, gritando e chorando. Nunca chorei tanto em toda minha vida. Nunca gritei tanto em toda a minha vida. 
Eu nunca senti uma dor tão insuportável em toda a minha vida.
Então, quando o nó se desfez em minha garganta, eu parei de gritar, e chorei baixinho, grunhindo de raiva, de dor e de medo. Esperando que, junto com minhas lágrimas, fosse embora toda a tristeza que era um mundo sem a Mavis.
Eu ouvi passos, mas não saí do meu estupor, continuei encolhido em forma de bola, tentado a todo custo acordar desse pesadelo terrível. Senti a presença de alguém ao meu lado, mas eu não olhei para ver quem era.

— Sabe, ela vai continuar viva para sempre nos nossos corações — sussurrou a voz de Liam, eu senti a irritação me abater mais forte do que nunca.
— Eu não quero ela na porra do meu coração. Eu não quero ela no coração de ninguém. Eu quero ela ao meu lado, dormindo e acordando comigo, bagunçado meu cabelo, rindo do meu aborrecimento, me provocando a cada segundo do dia. Eu quero ela ao meu lado para lhe dizer palavras bonitas e fazê-la se sentir amada como eu me sinto quando estou com ela. Eu quero ela ao meu lado para cuidarmos de Megan, para vermos ela crescer e dar os próprios passos, e se apaixonar, e amar alguém como eu amo a mãe dela — gritei enfurecido, e triste, e mortificado. Liam me abraçou, e eu chorei mais uma infinidade de litros.

Liam deixou que eu chorasse no seu ombro, o que eu achei estranho, pois eu nunca havia chorado na frente de alguém antes — minha mãe à parte e, claro, Mavis — e, também, ele queria a Mavis, mas eu estraguei seus planos. Entretanto, na verdade, quem é que não a queria?!!
Mas acho que pequenos detalhes como esse são esquecidos quando uma coisa tão maior como essa acontece.

— Louis está nos procurando — falou ele depois de um longo, longo tempo.
— Sim, vamos voltar — murmurei levantando-me.

Lavei o rosto novamente e tentei me controlar, nesse momento o que mais preciso fazer e ficar forte e cuidar da nossa filha, ela é a única coisa que me restou de Mavis.
Liam colocou a mão no meu ombro e nós voltamos para a sala de espera. 
Eu não queria ficar ali. Eu não queria receber a piedade de todos. Eu não queria me lembrar que ela morrera. Mas eu fiquei, pois Mare precisava de mim, e minha mãe também.
Pouco depois uma enfermeira apareceu para me levar à Megan, eu a segui obedientemente, ansiando ver a minha filha.
Megan estava sob observação em uma sala, ela estava em uma encubadora de vidro transparente com um pequeno buraco na lateral do tamanho de uma mão. A caixa era ligada à uma maquina por diversos fios. 
A enfermeira me deixou sozinho e eu me sentei ao lado da encubadora, sem conseguir desviar os olhos de Megan e já sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, eu enfiei minha mão na caixa e a toquei.


— Oi, princesinha. Olá, querida — murmurei emocionado, ela ficou quietinha, como se escutasse-me, mas eu sabia que era apenas minha imaginação, pois um bebê tão pequeno ainda não tem noção de nada. — Ah, meu amor, eu vou cuidar de você, não se preocupe, o papai está aqui — sussurrei para ela, estava louco para segurá-la, mas tive de me conter.

Então a enfermeira voltou, me levantei rapidamente e sequei as lágrimas discretamente, odeio que os outros me vejam chorando, me sinto exposto demais.

— Senhor, desculpe, mas devo pedir que se retire, pode vê-la mais tarde, quando o doutor realizar todos os procedimentos e ela for encaminhada para uma encubadora especializada — falou a enfermeira, assenti e meus olhos novamente se encheram de lágrimas. Deixar Megan agora é a última coisa que eu quero fazer.
— Sim, claro. Ela vai ficar bem? — perguntei e olhei para a minha filha, guardando sua imagem em minha mente.
— Sim, senhor, ela só precisa ganhar mais peso, ela ainda está muito pequenina, ela nasceu prematura e precisa se estabilizar — assenti sem desviar os olhos de Megan.
— Tudo bem, qualquer coisa me avise, por favor.

A enfermeira me conduziu para fora do quarto e, antes de fechar a porta, eu ouvi o chorinho baixo de Megan, tive o impulso de voltar, mas a enfermeira segurou em meu braço e me tirou da sala, levando-me de volta para a sala de espera.
Se passava de cinco da manhã e todos — America, Anne, Chase, Mellie, Zayn, Louis, Liam e Niall — estavam sentados lado a lado nas cadeiras duras da sala de espera. Me sentei entre America e minha mãe e, rapidamente, as duas me encararam.

— Ela é linda, parece demais com Mavis, mas eu já falei isso antes — murmurei olhando para o chão, pois temi não me controlar se as olhasse nos olhos.
— Já ligamos para o plano de saúde de Mare, eles vão cuidar dos detalhes do enterro e vocês precisam descansar um pouco, foi uma madrugada difícil — disse Chase, ajoelhando-se na frente de Mare e segurando suas mãos, tranquilizando-a.
— Vocês podem ir e descansar, eu vou ficar aqui — falei e beijei a testa da minha mãe.
— Acho melhor você ir também, Harry, eu fico por aqui e ligo se souber de algo — insistiu Chase.
— Não, eu fico e vocês vão! — falei sem deixar espaço para discussão, ele assentiu.

Mas a verdade é que eu temi entrar no apartamento sem a Mavis, temi o fato de que quando chegasse em casa eu ficaria sozinho com a realidade e os meus pensamentos e eu temi ser fraco demais para suportar isso.
Então, depois que todos falaram alguma coisa; depois que eu confortei a Mare; depois que minha mãe me confortou; depois que prometi ligar; depois que todos me disseram palavras de encorajamento; só depois disso tudo, foi que eu fiquei sozinho na sala de espera do hospital Royal Liverpool, sentando em uma cadeira dura, pensando em como seria o meu futuro de merda sem a garota que eu amo.
E a única coisa que me confortou de verdade foi saber que a minha filha estaria logo comigo, e ela é um pedacinho pequeno da minha Mavis.





Hey gente.
Vocês podem me matar agora kkk
Mas sejam caridosas. Pelo menos eu serei com vcs kkkk
Esse era pra ser o último cap. Mas eu decidi fazer mais 4 caps. bônus para vcs.
Então comentem bastante para que eu possa postar o primeiro bônus.
Amo vcs divas <3


2 comentários:

  1. Aaaa n faz isso n pleaseee faz ele ir ver a mavis e com um bj acordar ela n deixa ela morrer n please ta tao lgl o imagine n pode acabar tao tragicamente eu to chorando rios acho q posso encher a Cantareira pleaseeeeeeeeeeeee ;( ;(

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  2. EU PEDI PRA VC N FAZER ISSO! PEDI POR FAVOR! MAS VC FEZ! EU N ACREDITO T_T n fala mais comigo, do de mal, mas pode postar os extras

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Sou como uma escritora, lanço o livro para ser comprado;
Vocês são os compradores e os comentários o pagamento u.u
Faço isso de coração e amo, mas preciso do seu comentário <3

Qual a música? "No one in the world could stop me from not moving on, baby. Even if I want to..."

Por: Milinha Malik. Tecnologia do Blogger.

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Hello pessoas,
Sei que muitos não lerão isso, não se importaram com isso, não vão querer ao menos ver isso.
Mas não tem problema, isso aqui é pra quem quer ler.
Sou apaixonada por livros, amo escrever e, acima de tudo, amo One Direction, pois foi graças a eles que eu descobri o meu amor pela escrita.
Não espero que gostem das minhas histórias, mas aos que gostam: Obrigada.
Quem quiser entrar em contato é só seguir no Twitter: @miamelo1d

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